sábado, 13 de agosto de 2011

Você sabe o que é apnéia do sono?

Dormir ao lado de alguém que ronca não é tarefa fácil. Pesquisas indicam que no Brasil 30% dos homens têm esse problema contra 10% das mulheres. Mas, muitas vezes quem sofre com esse distúrbio, sofre sem saber. Porém, o ronco pode indicar uma doença ainda mais grave: a apneia do sono, que provoca pequenas e constantes paradas respiratórias ao longo da noite.
O distúrbio da apneia do sono, também faz o cérebro forçar a pessoa a respirar. De acordo com o cardiologista Kleber Oliveira, muitos indivíduos sofrem com flacidez nos músculos da faringe e, quando deitam, o palato mole vai para trás e obstrui ainda a passagem do ar.
“O risco da apneia do sono aumenta quando as pessoas estão acima do peso, o que aumenta o risco de infarto. Esses problemas são mais incidentes nos homens e os sintomas aumentam, quando estão associados ao consumo de bebidas alcoólicas e com o cansaço, pois há um relaxamento maior do músculo da garganta”, disse o cardiologista.
Para diagnosticar a doença é realizado um exame de polissonografia, que grava e monitora o sono. “Muitas vezes as pessoas roncam e pensam logo: é apneia do sono, mas outras doenças podem estar ligadas ao sono, como o bruxismo, que é tratado pelo fonoaudiólogo”, relatou Kleber Oliveira.
Para a neurologista e especialista em sono Lívia Gitaí, A síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é mais frequente em homens, obesos, idade acima de 65 anos e mulheres após a menopausa. “O ronco e a sonolência diurna excessiva são os principais sinais, mas em mulheres, é comum manifestar-se como insônia” afirmou a especialista.
Tratamentos
De acordo com Lívia Gitaí os tratamentos para a doença dependem das características de cada paciente e da gravidade da síndrome.  “O principal tratamento é dormir usando um aparelho chamado CPAP (continuous positive airway pressure) que, através de uma máscara nasal, faz com que o ar respirado não permita a obstrução das vias aéreas que geram a apnéia. Em alguns casos de doença leve ou moderada podem ser úteis aparelhos intra-orais e, em poucos casos, pode ser útil a realização de cirurgia”, disse a especialista.
Riscos
A SAOS aumenta o risco de acidentes de tráfego  e de trabalho, aumenta o risco de doenças cardiovasculares (hipertensão arterial sistêmica, infarto agudo do miocárdio,  angina do peito, arritmias, morte súbita), acidente vascular encefálico ("derrame"), refluxo gastro-esofágico.
Deitar de lado, em geral, ajuda a melhorar a apneia. Porém, é preciso redobrar a atenção quando se dorme de barriga para cima, porque favorece a obstrução do ar.
Casos
O funcionário público Manoel de Carvalho já passou por vários momentos desagradáveis enquanto dormia. Ele conta que perdeu as contas de quantas vezes acordou com o próprio ronco.
“Eu não só me acordo com o barulho do ronco. Já sofri e muito com engasgo, no meio da madrugada, de procurar o ar e não encontrar. Pensei que iria morrer. É um incomodo, não só para minha esposa que está ao meu lado, mas também para as minhas filhas, que acordam assustadas com todo o barulho que faço.”, lembrou Carvalho.
O engenheiro Ygor Rodrigues, também tem problemas com o ronco. “Perdi as contas de quantas vezes me acordo no meio da noite com meu próprio ronco. E se eu mesmo acordo, imagina o incômodo que não deve ser para quem mora comigo. Não sofro apenas com o ronco, mas falo bastante a noite e não me lembro de nada depois”, disse o engenheiro.
 A empresária Josiane Almeida diz que relutou para procurar um especialista. “Eu não acreditava quando o meu marido dizia que eu roncava, e que percebia que eu parava de respirar. Achava impossível parar de respirar e estar viva, até o momento que sofri um forte engasgo e fui às presas para o hospital. E foi diagnosticada a doença. Hoje eu ronco, mas bem menos, mudei minha alimentação, faço exercícios físicos”, revelou a empresária.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sexóloga alagoana alerta: “Os pais devem falar sobre sexo com os seus filhos”

A adolescência chega e muitas vezes com ela vêm as primeiras experiências sexuais. Nem todo mundo sabe, porém, que o despertar da sexualidade não tem a ver com a genitalidade, que é comum nesta fase da vida. Quando o ser humano nasce, já começa a desenvolver sua própria sexualidade.
Contudo, a sociedade erotizou o sexo, incentivando maciçamente sua prática e com isso, as crianças perdem o seu referencial. Muitas pessoas, por ignorância, acreditam que no sexo há um risco constante de contrair doenças e gravidez indesejadas. Mas, se esse assunto for tratado de maneira aberta em casa, pais e filhos podem ter um relacionamento melhor e com mais confiança.
Para a psicóloga Zoelma Lima, hoje em dia os jovens estão se interessando mais cedo por sexo, não só pela influência da mídia, mas por vários outros motivos. “É da natureza do homem se interessar por sexo. Mas, a criança desde pequena pode aprender a lidar com isso em casa, com os pais orientando. No futuro, elas se sentirão mais seguros para tirar qualquer dúvida com os pais”, afirmou a socióloga.
Zoelma conta ainda, que a sexualidade precisa ser ensinada na escola, porque as crianças têm que aprender a cuidar do próprio corpo. “Quando a criança aprende a cuidar do corpo ela também aprende a se defender de abusos, da pedofilia. Ela não deixa que ninguém a toque. Então, é preciso que os pais tirem as máscaras e percebam que estamos no século XXI. Não dá mais para o pai fingir que não sabe que o filho pratica sexo e o filho que os pais não sabem”, relata Zoelma.
Ela lembra ainda, que os jovens não querem apenas falar sobre as doenças sexualmente transmissíveis, ou do uso da camisinha. “Os jovens querem falar do mor, do afeto, e nada melhor que eles falem sobre isso em casa. Os adolescentes estão mais precoces e a mídia de certa maneira influencia, mas os jovens precisam saber o que é o sexo, nada melhor que eles aprendam no convívio dos pais”.
Família
A empresária Solange Gomes, mãe de Gabriel, 12, conta que desde cedo começou a falar sobre o assunto com o filho. “Desde cedo eu comecei explicando para ele que a mulher é diferente do homem. Acredito que as escolas poderiam não apenas falar sobre as doenças, mas explicar. Porém, há muitos pais com a cabeça fechada, e por isso os filhos são pais cedo, se envolvem com drogas, porque não há conversa”, disse a empresária
Já os pais Lucas e Gabriela, não falam muito sobre o assunto com os filhos, e acham errado que as escolas ensinem coisas sobre sexo. Um pai, que preferiu manter o anonimato, afirma: “Não quero que minha filha aprenda isso na escola, é praticamente induzir ela a pensar sobre sexo. Não falamos com ela em casa sobre isso, mas o que ela precisar perguntar, ela sabe que pode contar conosco, só não sei ainda a melhor forma de lidar com o assunto”
Para a psicóloga, a conversa em casa é o melhor remédio, lembrando que os pais que não se sentirem à vontade busquem ajuda. “Para Os pais que não sabem lidar com a situação, ou que não sabem a melhor forma de falar com os filhos, é preciso que eles busquem ajuda, que leiam, o que não dá é continuar com os olhos vendados”, finalizou a psicóloga Zoelma Lima.
Dica:
Caso os pais ou educadores tenham interesse em saber um pouco mais sobre o assunto, a socióloga recomenda o livro: Adolescência: o despertar do sexo; do autor Isami Tiba.

Gastos com salão de beleza já fazem parte do orçamento das alagoanas

Gastos com beleza passaram a fazer parte da lista de despesas fixas de todas as classes sociais. Manter uma boa aparência não é tarefa fácil nem barata. Muitas mulheres chegam a gastar metade da renda indo a clínicas de estética, manicure, pedicure, depilação, cabeleireiro e academia.
A lista inclui ainda as tentadoras visitas a lojas de roupas, acessórios e produtos de beleza.
Já é da natureza das mulheres gastar com serviços e produtos de moda e beleza. Mas, é preciso ter consciência de que aquilo é realmente importante e não vai comprometer o orçamento no fim do mês. Especialistas mostram que o ideal seria que os gastos não ultrapassassem 10% do salário. O Cadaminuto procurou saber das alagoanas como estão os cuidados com a aparência e se elas já incluem no orçamento esses gastos.
A empresária Elaine Rafaela revela que já deixa uma parte da sua renda mensal separada para os gastos com salão de beleza. “Confesso que toda semana preciso ir ao salão arrumar os cabelos e as unhas. Mas perco o controle quando o assunto é maquiagem”, disse Rafela que afirma ainda ter pelo menos quatro pós compactos lacrados.
A bióloga marinha Amanda Nunes afirma que gasta cerca de 40% do seu salário só com o cabelo. “Mulher gasta muito com salão, como não sou muito ligada à maquiagem, compenso com o cabelo. Gasto quase metade do meu salário só com ele”, relatou.
Já a jornalista Gabriela Sales diz que gastou tanto com cosméticos que ficou um mês inteiro sem salário. “Compro bastante e sou fascinada por novidades. Não resisto a um batom novo ou a um lançamento de uma base. Tem cosméticos que compro e nem uso, tenho vários blushes, batons, bases lacrados. Para ter ideia nunca terminei um blush”, afirmou.
Ela conta ainda que sua paixão por maquiagem surgiu desde menina. “Sempre fui apaixonada por maquiagem. Tanto que hoje trabalho com isso, tenho um blog de moda e grande parte dos meus gastos são para ele”, colocou Gabriela confessando que gasta mais do que deveria.
Especialista
Para o economista Moacyr Silva, a maioria das pessoas não se dá conta que está gastando além da conta. “Como é da natureza da mulher gastar para manter a beleza, elas não percebem os gastos excessivos. Toda regra tem exceção, de maneira geral, as mulheres gastam mais do que deveriam com salão de beleza e cosméticos”, afirmou. Porém, ele explica que com um certo controle é possível continuar gastando sem comprometer a renda mensal. Basta apenas controle os gastos na ponta do lápis.
“Para não comprometer a renda e ir parar no cheque especial, com uma regra simples, você se livra de ficar todo mês no vermelho. Se você colocar os gastos na ponta do lápis, com uma planilha, e ver suas necessidades principais evita isso. Mas é importante não comprometer mais que 10% da renda com o salão de beleza”, enfatizou o economista Moacyr Silva.
 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

“Estamos passando fome”, afirmam artesãos do Guerreiros de Maceió

Depois de verem sua vendas caírem cerca de 95%, os artesãos do Espaço Guerreiros de Maceió já pensam em fechar as barracas e tentar outro meio de sobrevivência. Com a mudança do Jaraguá para o espaço cedido pela prefeitura na Praça Sinimbú, os artesãos reclamam que investiram mais de 70 mil para deixar a nova estrutura pronta e não estão tendo retorno, além das empresas de turismo não levarem o turista para conhecer o artesanato, por conta dos manifestantes do Movimento Sem Terra, que estão há quase três meses acampados ao lado do espaço.
Os artesãos reclamam que, desde o incêndio ocorrido no antigo Cheiro da Terra em dezembro de 2005, a maioria ainda não conseguiu se recuperar totalmente dos prejuízos. “Nós perdemos tudo, foi muito dinheiro que investimos. Quando estávamos no Cheiro da Terra, a visibilidade era maior, os turistas sempre estavam lá, sem falar no pessoal da terra que sempre marcava presença”, frisou a presidente da Associação dos Guerreiros de Maceió, Margarida da Silva.
Outra reivindicação é que as empresas de turismo, não estão mais trazendo os turistas para conhecer o artesanato local. Alguns alegam que a vista não agrada, principalmente, pelo fato de que os artesãos estão dividindo espaço da Praça Sinimbu com o Movimento dos Sem Terra (MST).
“Tem mais de dois meses que os Sem Terra estão acampados na Praça. Esse filme já é velho eles vão e voltam, entra e sai mandato e ninguém consegue resolver o problema. Muitos artesãos não têm nem a passagem para voltar para casa, ficam pedindo a um e a outro. Mendigando o próprio sustento”, desabafa a vice presidente da Associação dos Guerreiros de Maceió, Aparecida Rossato.
A categoria reclama que falta “boa vontade” do poder público para que um local adequado seja encontrado para a comercialização do artesanato.
“Esse não é o melhor local para o nosso artesanato. Não é brincadeira, estamos passando fome e ninguém olha por nós. Deveriam valorizar o que é da terra”, frisou Aparecida Rossato.
Resposta
De acordo com o secretário de Articulação Políticia da Prefeitura de Maceió, Pedro Alves, os artesãos foram despejados pelo Ministério Público Federal, que entendeu que a área de Orla de Maceió, pertence à União, e que a prefeitura não pode fazer nada para contornar o impasse.
O secretário falou ainda que a Praça Sinimbú não é local definitivo, mas é o que foi possível para alocar os artesãos. Como a Praça é um local público, seria necessário entrar com um processo de licitação para que o espaço fosse de direito deles, mas não é possível, uma vez que teria que abrir espaço para todos.
O Instituto do Patrimônio Histórico de Alagoas (IPHAN) apresentou um projeto arquitetônico à Prefeitura de Maceió para que os artesãos fossem encaminhados aos galpões de Jaraguá, mas até o momento foi apenas uma conversa e não tem nada acordado.
Para o superintende da Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU), Galvaci de Assis, os artesãos precisam ainda pagar uma taxa de pagamento do uso do solo, no valor de R$30,00 a ser recolhido à SMCCU.
Segundo Galvaci de Assis, todo o ambulante e comerciante que utiliza o espaço público, precisa fazer o pagamento mensalmente. “Desde o rapaz que vende pipoca às tapioqueiras na Orla, precisam pagar essa taxa, e inclusive tem oito barracas do Guerreiros de Maceió que dentro de alguns dias serão lacradas por não pagar essa taxa”, finaliza Galvaci.
 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

“A Semana Santa é o tempo de perdão”, diz arcebispo de Maceió

Neste domingo de Páscoa, a reportagem do Cadaminuto ouviu o arcebispo Dom Antônio Muniz, para explicar aos leitores o verdadeiro sentido da Páscoa. A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.
“A Páscoa é a grande festa para os cristãos. É quando celebramos a ressurreição de Cristo. A preparação para comemoração começa em uma quarta-feira de cinzas e só termina quarenta dias depois, que é conhecido como quaresma, em um domingo, que chamado domingo de Páscoa”, afirmou o arcebispo.
A Páscoa não tem nada a ver com ovos de chocolate nem coelhos. Sua origem remota os tempos do Velho Testamento, por ocasião do êxodo do povo de Israel da terra do Egito. A Bíblia relata o acontecimento no capítulo 12 do livro do Êxodo.
Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por oito dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.
Páscoa significa passagem e, com sua entrega na cruz, Jesus Cristo perdoou os pecados dos cristãos. “Por isso a Semana Santa é o tempo de perdão. E para servi-lo, precisamos abraçar essa mensagem. É tempo de desamarrar as mágoas ou qualquer sentido contrário a essa ideia”, colocou Dom Antônio.
Ovos
A origem dos ovos e coelhos é antiga e cheia de lendas. Segundo alguns autores, os anglo-saxões teriam sido os primeiros a usar o coelho como símbolo da Páscoa. Outras fontes porém, o relacionam ao culto da fertilidade celebrado pelos babilônicos e depois transportados para o Egito. À figura do coelho, juntou-se o ovo que é símbolo da própria vida.
Proibição de comer carne
Os católicos afirmam que a Páscoa Judaica passou a ser uma festa cristã quando Jesus a usou para instituir a Santa Ceia. Na Páscoa, os "fiéis" são proibidos de comer carne vermelha na "sexta-feira santa", segundo eles, por dois motivos: meditar na carne de Cristo e o que ela sofreu na cruz; e não comprar carne, permitindo assim que os cristãos menos favorecidos possam comprá-la.
“O jejum de carne durante a quaresma, e mais especificamente o da sexta-feira da paixão, é feito como forma de penitência e em memória dos quarenta dias e noites que Nosso Senhor passou jejuando no deserto. Assim aderimos a uma dieta alimentar. Nos alimentamos de peixes e verduras”, finalizou Dom Antônio.

Alagoas tem a maior incidência de morte por Diabetes no Brasil

Em menos de três meses, a rotina da pequena Júlia sofreu uma reviravolta. Pouco antes de ingressar na vida escolar, com pouco mais de um ano, o diabetes tipo 1 foi diagnosticado. Desde então, ela não entendia muito bem o motivo de não poder mais repetir o iogurte ou aquele bolo saboroso e o pior, receber diariamente várias picadas no dedo pequenino.
Dizer que uma pessoa tem diabetes é o mesmo que dizer que ela tem uma quantidade de açúcar no sangue acima do que seria normalmente esperado. Até que isso poderia não significar muito, a não ser pelo fato de que este excesso de açúcar e as alterações hormonais que o acompanham costumam agredir os vasos sanguíneos e alguns dos principais órgãos do corpo humano.
Carolina Lima, mãe de Júlia, lembra que os primeiros sinais surgiram quando a menina tinha um ano. Ela estava comendo além da conta, ingerindo muito líquido, com preguiça, perdendo peso. Era época do Natal quando os sinais começaram a se concretizar.
“Quando fui dar banho nela a fralda estava cheia. Mas não dei tanta importância. Depois de duas horas, já de madrugada, fui vê-la no berço e para minha surpresa, o berço estava ensopado de xixi. Me tremi toda! Olhei cada pedacinho de minha filha com muita atenção e naquela mesma hora, como numa inspiração divina, coloquei na cabeça que ela tinha Diabetes”, desabafou Carolina.
Aos quatro anos Júlia leva uma vida normal. Ela tem a diabetes tipo 1, que é mais comum em crianças e adolescentes, e come de tudo, sem restrições, apenas é preciso controlar a quantidade certa. “Ela já aprendeu, quando sente vontade de comer, já me procura para fazer o teste de carboidrato, para fazer a medição de quanto de insulina ela irá precisar”, afirmou Carolina.
Hoje com o avanço da tecnologia, o controle do diabetes é bem mais fácil. O controle é feito com um aparelho chamado de glicosímetro, onde o diabético verifica diariamente as taxas de insulina que o corpo precisa. O teste é feito 30 minutos antes das refeições para que a insulina faça efeito.
Escolas
Mesmo com toda a informação acessível, a maioria das escolas é despreparada para lidar com a doença. A primeira escola de Júlia não conseguiu administrar o fato de a criança sofrer de diabetes. “Tive que retirar minha filha da escola, porque não senti confiança e neste caso, confiança é fundamental porque é a saúde da minha filha que está em jogo”, colocou Carolina.
A nova escola não hesitou em ser parceira da família. Foi escolhida porque oferece uma alimentação diferenciada, são servidas duas refeições sob a orientação de uma nutricionista. “Essa foi a única que senti confiança em deixar a Júlia. E mesmo assim, fiz folhetos explicativos para todos os funcionários da escola. Foi um exagero, mas em se tratando da vida da minha pequena, o cuidado deve ser maior”, observou.
As escolas particulares, em sua maioria, não conseguem oferecer um tratamento diferenciado. As públicas se afastam mais ainda do que seria ideal para os diabéticos. A merenda é deficiente e a informação dos professores fica a desejar. Carolina alerta aos pais de filhos diabéticos que fiquem de olho na qualidade das escolas e busquem saber se elas são preparadas para atender as necessidades das crianças.
A insulina
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que tem por função facilitar a entrada de açúcar no interior das células. Este açúcar, representado principalmente pela glicose, é fundamental para que a célula produza energia para sobreviver. Assim, a insulina circula pelo sangue e "abre as portas" das células para a entrada da glicose.
Portanto, fica fácil entender porque a falta de insulina faz com que as células não consigam aproveitar a glicose como fonte de energia. É como se nossas células tivessem alimento à sua disposição, mas não conseguissem abrir a boca para comê-lo.
Sempre que a insulina produzida não for suficiente para colocar a glicose para dentro das células, teremos um excesso de glicose do sangue. É o que chamamos de hiperglicemia. Por outro lado, se comermos pouco carboidrato em relação à quantidade de insulina que está circulando, sobrará pouca glicose no sangue. Neste caso, falamos em hipoglicemia.
Índices
Alagoas tem a maior incidência de mortes por diabete no país, em pesquisa feita pelo Ministério da Saúde entre os anos de 1996 a 2007.
A média foi de 56 mortes por 100 mil habitantes no ano de 2007, contra proporção de 26 por 100 mil, no estado de São Paulo.
Em 2007, as doenças crônicas responderam por 67,3% das mortes, sendo 29,4% as cardiovasculares e 15,1%, os cânceres. Em quarto lugar, está o diabetes com 4,6%
O primeiro lugar na lista é preocupante. Isso significa que o diabetes está sendo negligenciado pelos alagoanos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

No dia mundial de conscientização, saiba como Alagoas lida com o Autismo

Os primeiros sintomas surgem na infância, tipicamente antes dos três anos de idade. Para alguns pais, os filhos são considerados gênios, portadores de uma inteligência acima da média. Isso pode ser sinal de um transtorno da mente, ainda pouco conhecido pela ciência, definido como espectro autismo.
São os pais os primeiros a notar que alguma coisa está diferente. Um gesto não correspondido, a falta de reação a um estímulo. Outras vezes quem percebe que há algo errado são parentes, amigos ou até mesmo os professores na escola.
Com Léticia Siqueira foi assim, seu filho Elian aos dois anos não brincava direito nem falava, foi então que ela descobriu que ele estava dentro do espectro autista.
“Nós começamos a perceber com a proximidade do aniversário de dois anos, ele não falava nada, nem brincava direito com as outras crianças. Mas pensamos que isso era normal, procuramos alguns médicos e eles também não disseram nada. Continuamos com Elian na escolinha, pensávamos que era falta de contato com outras crianças. Em seguida veio o diagnóstico. Foi um banho de água fria”, desabafa Letícia Siqueira.
Mas afinal o que é o autismo? É uma síndrome definida por alterações presentes desde idades muito precoces, tipicamente antes dos três anos e que se caracteriza sempre por desvios qualitativos na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.
É uma desordem na qual uma criança não consegue desenvolver relações sociais normais, se comporta de modo compulsivo, ritualista e geralmente não desenvolve inteligência normal. A dificuldade do diagnóstico pode levar a resultados equivocados. Muitas vezes o autismo é confundido com surdez, retardo mental, e até mesmo síndrome de trauma cranial pós natal.
Dificuldades
Sabe-se, porém, que o autismo é tratável e que o uso de abordagens apropriadas, tanto de cunho terapêutico quanto de cunho educacional, pode ajudar uma criança e seus pais a terem uma perspectiva de vida melhor, com certa autonomia e independência do portador de autismo.

Alagoas, infelizmente, não possui uma unidade com um trabalho efetivo. Para desespero dos pais de crianças com autismo que, apesar de já terem alcançado a compreensão de que um tratamento intensivo e precoce pode amenizar bastante o quadro, não conseguem colocar seus filhos em uma unidade apropriada.
No entanto, o acesso a uma infra-estrutura adequada, com trabalho intensivo e intermitente, utilizando as técnicas que possuem resultados cientificamente comprovados, ainda é privilégio de poucos.
A Associação dos Amigos dos Autistas (AMA-AL) está dando o primeiro passo para criar uma unidade de atendimento multidisciplinar para crianças com autismo e que possa realmente dar resultados, ou seja, fazer com que as crianças evoluam dentro do espectro autístico para um grau de comprometimento mais leve.
Desde 2007, porém, a AMA-AL tenta buscar isso, através da promoção de treinamentos, palestras, supervisões com especialistas oriundos de outras partes do país. O conhecimento é a base de um processo bem estruturado que possibilite o desenvolvimento das crianças.
De acordo com a presidente da AMA-AL Mônica Ximenez, são os pais que arcam com todo o tratamento do filho. “O poder público ainda não entendeu o que é o autismo, o custo alto do tratamento e que os pais, em sua maioria, não conseguem arcar com todas as despesas. São os próprios pais que fazem a AMA acontecer. Hoje, contamos com 25 pais e 10 dez crianças por turno”, afirma Mônica.
Ela ainda explica que o tratamento para atender de uma vez mais de 50 crianças e por 30 minutos não consegue um resultado nem próximo do satisfatório.
“Hoje o tratamento que atende às necessidades dos espectros autistas dura semanalmente de 20 a 30 horas, o que nem chega perto dessa realidade que o poder público quer pagar. Em São Paulo cada criança custa 2mil reais e a secretaria de educação banca o atendimento com a AMA, totalmente fora de qualquer realidade em Alagoas”, desabafa a presidente da AMA-AL.
Segundo Mônica, hoje as escolas conseguem ter uma sensibilidade maior com essas crianças. Mesmo que eles frequentem a escola, os pais ainda pagam uma pessoa por fora para acompanhar os filhos, para que eles possam desenvolver suas habilidades.
Níveis de espectro
O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de transtorno invasivo do desenvolvimento (TID) – também conhecido como transtorno global do desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista.
Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro além de raros casos com diversas habilidades mentais, como a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) – atribuído inclusive aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein. Mas é preciso desfazer o mito de que todo autista tem um “superpoder”. Os casos de genialidade são raríssimos.
A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento.
Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura. Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor.
Tratamento
Além da restrição orçamentária de grande parcela das famílias que possuem um autista em seu seio, o tratamento requer uma abordagem multidisciplinar, ou seja, que se trabalhe com vários profissionais, com seus múltiplos olhares e ações sobre o paciente.
Na proposta da AMA-AL, apesar de inicialmente todos os custos com profissionais e com a manutenção do espaço estar sendo bancados pelos pais, estes entenderam que, diante dos altos preços cobrados pelas consultas na cidade e dos deslocamentos diários entre consultórios, a união poderia proporcionar mais horas de tratamento, a custos mais reduzidos, sem deslocamentos adicionais.
Tendo em vista o pioneirismo do projeto em Alagoas, bem como o nível de detalhe que cada atendimento requer, dentro da abordagem 1:1, inicialmente, no projeto piloto que a AMA-AL está lançando no dia 02 de abril de 2011, pretende-se atender as crianças em período integral, sendo em média de 10 por turno por dia de atendimento.
O atendimento envolve psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e professores. Com esse aparato, espera-se que cada criança evolua dentro do espectro, adquirindo habilidades de cuidado pessoal, contato visual, linguagem, comunicação, leitura e escrita, coordenação motora, dentre outros. Tendo a consciência de que, em se tratando de autismo, o processo de evolução é lento, ou seja, leva anos para acontecer, mas cada ganho é intensamente comemorado pelos pais e profissionais zelosos.
Dia 2 de abril
Neste sábado é comemorado dia mundial de conscientização do autismo, neste dia a AMA-AL irá inaugurar sua nova sede, na Rua Jader Izidro, número 158 , no bairro do Stella Maris, próximo ao Maceió Shopping, com capacidade para atender mais crianças. Durante todo o dia serão distribuídos folders explicando o que é o autismo, tratamento e o como as pessoas podem ajudar os autistas.
Na sede serão oferecidos atendimentos de psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e reforço pedagógico, além de atividades de música, artes e educação física para crianças entre 02 e 10 anos, preferencialmente filhos de sócios da AMA-AL.
“Tem muitos pais que largam o trabalho, deixam de viver para viver em função dos filhos autistas. Eu não. Estou entregando minha tese, tive que continuar trabalhando e estudando para poder dar um tratamento mais humanizado ao meu filho”, desabafa Mônica Ximenez, que tem um filho autista com nove anos.